Category Archives: Uncategorized

A Cara e o Cara do BBB 18

20180418_225911

A final deste BBB era previsível. Ana Clara e Kaysar foram dois protagonistas da edição que deram uma aula do que é  o jogo interno e externo  do BBB.

O Kaysar entrou  favorito. Participante mais carismático  do programa, com um apelo  diferente do que normalmente se vê, foi logo reconhecido entre os demais participantes no primeiro dia. Ana Clara era rejeitada. O público  odiou a família. Não  fosse a sua habilidade argumentativa e a sua simpatia com os outros ali dentro, teria a grande novidade da edição eliminada na segunda semana. Havia uma rejeição ao Ayrton na casa, mas a Ana Clara conseguiu reverter isso até  o 3° paredão que, por muita sorte, junto com a Paula enfrentou a Ana Paula, integrante do Trio Mandinga. Se não  fosse o voto do Breno, Mahmoud teria ido. Diego era o líder.

Neste tempo, Kaysar ainda era próximo desse trio de vilões. Nem mesmo isso, tirou seu favoritismo com o público. O público via uma certa ingenuidade da parte dele.

A partir daí, a familia acumulou duas lideranças. Na primeira, eliminaram a Nayara. Na segunda, indicaram o Diego, mas quem saiu foi o Lucas que o Kaysar indicou por sorteio. Ana Clara responsabilizou o Ayrton pela indicação  e se desculpou com o Diego. O Diego vinha passando até,  então, por uma mesma situação que ela no início, pra ter uma sobrevida no jogo, articulava uma combinação  de votos, exatamente  por não  se ver como um favorito ou um tipo que cative o público  de imediato. Só  que não  era uma planta como a Gleici.

Havia uma situação: Mahmoud, amigo da Ana, era perseguido pelo trio Caruso-Wagner- Viegas. Só  que a Ana, mesmo sabendo  disso e vendo o Wagner com jogo duplo, optou por não  tomar partido. Não  era alvo nem deste trio e nem do trio Mandinga.

O MOMENTO do jogo foi justamente o SEXTO paredão. A Patrícia  era líder. O Diego era voto  conhecido da Gleici. O Mahmoud era perseguido pelo trio  do Wagner que havia dito que não  votariam nele.  Daí, a produção fez uma mudança  de regra. Fez a votação ABERTA pra sabotar a combinação do Diego. Só  que todo mundo manteve o voto. Inclusive a Ana Clara que tomou partido da Gleici votando novamente com a Paula e Gleici no Diego. Pedindo desculpas DE NOVO. Este paredão  foi decisivo pro jogo. Kaysar caiu um pouco em popularidade. Gleici subiu pro quarto  porque era um paredão  de eliminar. E, obviamente, quem movimenta disputa, quem flana sobra. Fizeram crossover com a novela e aquela  que, até, então, nem existia, por sorte subiu pro quarto e pescou uma informação : Paula dizendo que indicaria a Patrícia  porque ninguem a indicaria e votaria nela. E Diego outro voto seu.

Com a Patrícia indicada e eliminada por ela, Diego saiu, na sequência, numa indicação da liderança compartilhada entre Gleici e Ana Clara emparedando dois desafetos da Gleici: Diego, por emparedar a líder, e Jéssica  no desempate, preservando  o Caruso desafeto direto do seu pai.

Ou seja: Ana Clara, tão  inteligente, resolveu fazer o jogo da Gleici  no eterno looping do ” fulano  que vota EM mim”.  E passou a fazer a mesma coisa  quando ela passou a ser alvo, quando os que votavam na Gleici sairam. Era previsível isso.

Assim, o melhor elenco  que o BBB já  formou, que jogava  de forma inteligente, passou a seguir a cartilha de BBBs iniciantes. Como não  combinar votos pra serem alvos. A produção subestimou demais os escolhidos e acabou com a emoção  da supresa doa paredões.

Ana Clara conseguiu reverter tudo que teve contra si. Salvar-se de paredões até  que teve que superar o Kaysar. A prova de resistência que ela conseguiu vencer, quando iria perder. A forma que ela propiciou a renúncia  do Kaysar à imunidade, fez com que ele crescesse e recuperasse o pouco que perdeu no twist do quarto, e só  sobrou forças  pra ganhar da Paula no último.

A Gleici  apenas seguiu no oportunismo e num jogo por WO. Com seus aliados massacrados por suas lamúrias  votando em quem votava nela até  que seus aliados fossem votodados e ela escapasse do paredão na reta final. Desde o 6° paredão. Só  foi contra o Diego por causa do Big Fone no 8°. Esta há  7 paredões  fora da berlinda. Bem confortável! Apagou total. Kaysar foi a 3. Breno foi a 2 e a familia foi a 2.

Por isso o Kaysar  merece a vitória. Por não  ter cedido, por ter se mantido no seu jogo e no seu apelo. Por ter sido ético, mesmo enquanto esteve do “lado errado” e por nunca ter tido favorecimento da edição.

A Ana Clara, mesmo sendo espetacular e ter perdido o jogo pro Kaysar nanultima prova da resistência  mereceu a final pelo seu jogo altamente adverso a si, sabendo reverter e vencer paredões.  O cara e a cara do BBB.

 

 

 

 

 

 

Advertisements

Ao Vencedor as Batatas 2

 

images (2)

 

Para Greny:

 

“Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.”

(ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997. p. 648-649.)

A citação  da filosofia HUMANITISTA do Quincas Borba é  uma ironia do mundo real. Uma oposição  ao HUMANISMO. A forma como ele justifica  a guerra não  se daria no mundo real como uma ciência, mas retrata exatamente como as pessoas se comportam em relação  à atitudes. O BBB seria um retrato desta ironia aparente, porém  literal, do telespectador. As torcidas se portam como as tribos, enaltecendo a trajetoria dos  seus favoritos, desprezando completamente os seus adversários. Romantiza qualidades inexistentes e suprimem seus defeitos e a coerência  da participação  do favorito em si.

Quando eu usei Macunaíma como referência  à Gleici, usei exatamente porque, como no livro, ela vem do norte, tem um biotipo que representa a brasilidade, mas se apresenta como uma mocinha abaixo de qualquer crítica. Movida a um individualismo e uma hostilidade  com o próximo tamanhos em termos de convivência, que mais justificam os votos nela do que tornam coerentes as suas argumentações  na vitimização.

A sonsice ali grita. Seu jogo foi de queimar seus aliados nas votações, preservando o trio do namorado que perseguia o Mahmoud. Apenas votava em quem votava nela.  E mesmo sem uma capacidade de diálogo  e de percepção, afundou o jogo da Ana Clara, que se ligou a ela por mera compaixão  ou intenção  de não deixar existir uma rejeitada, dificultando tudo que construiu e sem que, com isso, demonstrasse uma afetuosidade da Gleici. Ela não  cativa. Ela não  desperta nem demonstra afeto. Por diversas vezes, ela entra no looping do ” fulano vota em mim”, quando a amiga queria falar de si e do seu jogo. Ela não  devolve a bola. Não  interage. Diferente da Jessica e do Kaysar, por exemplo. A torcida dela não  entende isso. Joga com  o pretenso preconceito de quem critica. Não  com a verdade que ela apresenta. A Gleici  não  tem  genuidade.

O Kaysar, chamado de fake, tem uma personalidade coerente. Efusivo, hiperativo, sim, mas tem carisma. Tem o que falta a Gleici : civilidade, respeito, humildade, a honestidade e a boa fé. As pessoas falaram que ele quis enfrentar a Jéssica. Ele não  quis. Ele não  quis votar na família  por motivos óbvios  e extra-casa. E não  quis enfrentar a Gleici e votar nela. O voto nela pra salvar o Diego pesou. E não  precisa ser um idiota de Dostoiévski pra isso. Até porque esse “idiota” não  é  burro, é  louco. Na literatura, louco é  quem se autoafirma como ser humano. Opõe-se à  sociedade. Exatamente isso que ele é  hoje na casa: um contraponto. Aquele que destoa dos demais. Aquele  que desperta a necessidade dos outros de argumentarem o seu desmerecimento como vencedor.

Então, parafraseando Clarice Lispector, em  A Hora da Estrela, o Kaysar ė o diferente. Um corpo estranho, muitas vezes menor do que uma célula, mas que movimenta um organisno inteiro para combatê-lo e impedir que se fortaleça.

 

#Kaysarcampeão Dolce & Gabbana

20180409_191806

 

Há  algumas semanas atrás, um ex BBB  twittou a respeito do Kaysar ser “O  Idiota” de Dostoiévski. Eu achei engraçado  porque eu usei um texto onde existe a mesma metáfora  que existe na literatura em geral. No livro, o “idiota” é  visto como  louco. Exatamente a contraposição  entre ser e ter da sociedade. O louco é  aquele que se autoafirma como ser humano e a sociedade não  o compreende. Por isso, no post que fiz pra ele, usei um texto da Lispector, onde existe o trecho ” o bobo é  um Dostoiévski”.

Embora, não  tenha sido esta a intenção de usar o termo idiota pelo ex BBB, o Kaysar merece ganhar exatamente por isso: ser bobo. Pela originalidade, pela linearidade e pelo jogo solo sem que, com isso, se veja no desespero de queimar alguém .

O que se vê  na casa é  uma tentativa sórdida  de desqualificá-lo. Ele tem dinheiro, não  merece. É estrangeiro, não  merece. E ainda tem aquela cena patética do Ayrton se vitimizando no dia da eliminação  do Wagner. Aquilo foi tão  deplorável que firmou o contraponto do kaysar com a casa. Ele não  se utiliza desses subterfúgios. Não  se vê  na necessidade de queimar os adversários. O Ayrton foi tão  baixo por ter falado o que falou do Kaysar e ter tentado fazê-lo cair em contradição  e depois chorado pela ingratidão  e TRAIÇÃO  que o constrangeu a votar nele neste ultimo paredão. Aliás, o mesmo que a Ana Clara fez com a Jéssica. Eu vejo claramente como  uma chantagem emocional.

Se faz assim conversando, faz no ao vivo. Foi humilhante a atitude da familia com ambos. Semelhante ao que fez o casal com este ex BBB ano passado. É  o que eu chamaria de jogo sujo.

Neste paredão, entre Jéssica  e Kaysar, vai dar Kaysar, mas é  necessário  enfatizar que ambos foram vítimas  de uma apelação  baixa e ridícula  pelo fato de terem votado na família  quando seriam os votos da semana seguinte. Coisa natural do jogo. A sua escala.de afinidades é  diferente do coleguinha. Você  protege seu aliado porque ele é  o alvo, mas o próximo  é  você.  Da mesma forma que ocorreu com a Paula ontem.

Fica a lição  pra audiência em relação  ao jogo do grupo do bem. Agora, eles são  os opressores e exercem a opressão  da pior forma possivel.

Sendo assim: que vença  Kaysar e sua jaqueta da Dolce & Gabbana.

Meu ranking do milhão :

1- kaysar

2- Paula

3- Breno

 

Kaysar Forçado

20180402_170253

 

As mesmas críticas  e apontamentos CONTRA o apelo do Kaysar, eu tive no início do jogo. Eu o considerava um fake que se utilizava de uma pretensa personalidade efusiva e uma história  que muitos desconhecem pra desqualificar o seu favoritismo. Eu não  entendia porque ele era tão  favorito assim, sendo um clichê  montado de vencedores anteriores. MUDEI MINHA OPINIÃO. Reconheço  completamente a injustiça  do meu julgamento.

O Kaysar causou um medo gigante nos outros participantes. Não  por acharem que ele fosse fake, mas porque o CARISMA dele era notório. E ele não  tinha grandes problemas de convivência. Ele era poupado porque ninguém  queria enfrenta-lo.

Agora, quando os favoritos começaram  a virar o jogo, os motivos dentro da casa não  são  suficientes, então, precisam DESCONSTRUIR o Kaysar pelo que ele é  e não  pelo que ele faz na casa.

A Gleici quer ganhar por ser pobre. Então, precisa dizer que o Kaysar não  precisa de grana. Precisa dizer que aqui, as estatísticas de violência  urbana são semelhantes a de guerras. “Eu sei o que é  perder um amigo assassinado”, ela disse. Ele respondeu:  ” Eu sei o que é  um predio inteiro desmoronar em um segundo”.

Não  interessa mais se ele é  fake, se a familia tem grana. Se o jeito dele nadar não é  de pobre ou se a militante de direitos humanos acha que um estrangeiro não  merece ganhar o BBB.  Veja bem como é a pessoa que milita  pelos direitos humanos, na hora de prêmio  EM DINHEIRO, precisa desmerecer o outro pelas condições  sociais, nacionalidade, utilizando uma defesa em causa própria.

O Kaysar milita em causa própria sem desmerecer a causa do outro. Foi constrangedoramente indagado pelo Ayrton e Gleici sobre a sua vida, pra demonstrar ao público  que ele é  desmerecedor e mentiroso. Isso foi deprimente.

A revolta da família no desempate foi fora de contexto e totalmente descabida. O mal desses favoritos é  achar que dominaram o jogo e ditam o ritmo da dança  dos outros. É  exatamente esse falso conforto que demonstra  o lado ruim das pessoas.

Muito do jogo do Kaysar se deve a uma ingenuidade dele de agir pra agradar ao público. Mas a constância  da sua participação, não  apenas demonstra coerência de um comportamento desde o início, como a própria  contradição  de seus adversários.  Simples, sutil e direto.

 

 

Parênteses

Eu adoro BBB. Só  gosto de comentar com quem gosta. As pessoas que convivem comigo  fazem questão  de dizer que odeiam. Então, eu procuro  comentar no twitter e escrever textões aqui que eu leio depois quando eu cismo.

Quando o BBB começa, eu gosto de todo mundo. Até  da Emilly que eu passei a detestar na terceira ou quarta semana. Mas eu não  desmereço a vitória dela. Ela foi uma jogadora espetacular e que conseguiu reverter características  que eliminariam qualquer outro com rejeição. Ela fez o Rômulo deitar pra ela. Mereceu. Não  fico batendo pezinho, como quem até  hoje critica a Analy por ter vetado o anjo da Siri .Isso é  mediocridade.

Analy é  uma das participantes mais importantes da história  do programa. Perfil  discretíssimo. Não  falou um palavrão  a edição  inteira. Daí, vetou a favorita que veio a ser a SÉTIMA  eliminada do BBB7. Foi uma bomba atômica  na edição porque o paredão dos dois maiores favoritos  foi o MENOS votado, salvou o  meu pay per view, salvou a Fani que ficou nais tempo e virou a queridinha do Boninho e voltou  pra duas edições depois. A Siri foi pra Rede TV e ganhou muito mais dinheiro do que se tivesse sido campeã.  Foi bom PRA TODO MUNDO. E graças  a ela que existe paredão  triplo.

Dito isso, vem a Gleici, que está  gerando a polêmica no Twitter. Pra mim, ela é  FAKE. Ela tenta copiar a Emilly. Ela tem  atitudes descontextualizadas. O drama de perseguida por causa de voto, a dificuldade argumentativa dela de sustentar isso prova que não  tem sentido nenhum. E somado a tudo isso força  cenas da Emilly,  como lavar a louça chorando no dia seguinte que ouviu a torcida gritando o nome dela  e a briga por cama.

Além  disso, ela vota  errado de propósito, prejudica os aliados, não  protege ninguém e cola na Ana Clara absorvendo a garota com a sua chatisse de repetir que é  perseguida e que está insegura, etc. Nem o Papito aguenta mais.

Diego ensinou como fazer aliança de forma ética.  Gleici ensinou como vender seus aliados pra preservar quem  vota neles  e não  vota nela. Esse casalzinho dela com Wagner é bem interessante pra isso.

O pior e mais desonesto, é  o fato de ela ser afiliada do PT  e o partido já  ter declarado que pretende inscrevê-la como deputada federal pelo Acre. O maior articulador do PT no estado é  amigo pessoal dela. Cedeu a casa dele pra gravarem os vídeos  da família; vem aos paredões  dela com a família; e  E se vê  outdoor e propaganda dela aonde ela mora. O Lula já  postou  foto com ela em rede social. Está  tão  descarado o negócio que fica difícil  de não  comentar.

Eu achei, inclusive, isso pior do que ela usar a expressão  guerrilha virtual dentro da casa.

Se houve outros participantes que também  eram afiliados a partidos, não  me importa. Ou não  vi, ou não  me atentei  a isso. Fato  é que, nesse nível, eu nunca vi.

Então, se quiserem que ela ganhe, ok, votem pra ela ganhar e acabou. Não  vou bater pezinho  da mesma forma que eu não  bato com quem vence e eu não  torço  e/ou não  gosto.

A minha vida não  vai mudar se a Gleici vencer  ou for deputada federal. Como também  não  vou ficar de bate boca sobre isso. O máximo  que eu posso fazer é  deixar de assistir e voltar pro BBB 19. Bem simples.

 

 

.

 

Diego Sabado

20180322_000233

Pequena Fábula

“Ah”, disse o rato, “o mundo torna-se a cada dia mais estreito. A princípio era tão vasto que me dava medo, eu continuava correndo e me sentia feliz com o fato de que finalmente via à distância, à direita e à esquerda, as paredes, mas essas longas paredes convergem tão depressa uma para a outra que já estou no último quarto e lá no canto fica a ratoeira para a qual eu corro”. -“Você só precisa mudar de direção”, disse o gato, e devorou-o.”

Franz kafka

A fábula, que é  uma parábola, traduz muito bem sua trajetória. Eu a escolhi pela moral que o autor deu ao dizer que  ” a última  saída  do saber leva à ruína”.

O medo do mundo impulsiona o rato,  que acaba num caminho sem saída: entre a violência  do gato ou da ratoeira. Onde, mudar de direção,  significa deixar de fazer algo pra seguir os conselhos de alguém.

A trajetória do Diego no BBB se iniciou com uma aliança dos 7. Primeiro, com Ana  Paula e Patrícia. Havia uma rejeição  à  Ana Paula pela casa e ao Mahmoud pelo público. A escolha foi certa. A truculência da Mara e do Mahmoud deu sobrevida à  Ana Paula com eliminação  da primeira. A aliança  dos 7 protegeu a Jéssica  e projetou Mahmoud pro paredão  da segunda semana.

Lucas é  líder e indica a Gleici. Planta na época. Mahmoud é  vitimizando pela hostilidade da casa, especialmente do Caruso. Ana Paula e Patrícia  começam  a exagerar no humor negro e na maledicência. Jaqueline cava a eliminação  pretensamente chutando um cachorro morto, porém  redimido pela hostilidade da casa e pelo publico.

Terceiro paredão, Diego lider indica a Paula. Ana Paula acaba exagerando  na prova da comida e recebe SETE votos no paredão  que eliminaria a Família Lima, indicada pelo Lucas, no Big Fone . Com SEIS votos, e muita sorte, Mahmoud escapa do paredão e  a Ana Paula é  eliminada.

Quarta Semana, a sensacional Ana Clara resolve colocar o voto da casa no paredão. Indica Nayara estupidamente pra ir com a Gleici e Mahmoud, aqui estrategicamente pensado pelos sete, pro caso de ter paredão  triplo ou eventual desempate. O voto burro da Ana mete dois amigos no paredão . Lider que só  lê que deve  indicar quem sai, não  é  capaz de firmar aliança.

Quinta Semana, Familia  de novo. Indicam Diego. Nada a ser feito. Não se combina voto. Patricia vai na Gleici e Diego vai na Paula. A sensacional  Ana Clara pede desculpas ao Diego. Tão  surpresa quanto foi a indicação  do Lucas, direto pelo Kaysar,  foi o noivo ser eliminado porque a familia brasileira não  perdoa traição . Sorte do Diego.

Sexto paredão, TUDO CONTRA. Votação  aberta. Genial estratégia  do triplo empate de três.  Mahmoud desenhou pra casa o voto no Wagner. As geniais Paula e Gleici na vingancinha votam em Diego com a Patrícia lider. A sensacional Ana Clara vota no Diego. Kaysar e Jessica iriam no Wagner, mas vão  na Gleici pra proteger o Diego. Daí: Paula x Gleici x Mahmoud. Mahmoud sai, Gleici  vai pro quarto, ganha imunidade e tem voto e indicação  direta.

Aí, foi o golpe baixo. Musiquinha de novela. Encenação  de quinta. Patricia vai direto. Caruso pela Paula e Jessica. Diego pela casa. Graças ao inutil do Breno e do traíra do Wagner. E Caruso e Viegas burramente votam na Jéssica. Patricia sai. Mas Gleici toma  de Diego a placa virtual de soberba e hipocrisia com Ana Clara e Wagner a de covarde.

A Gleici vingadora e Ana Clara sensível  já  vão  no Diego. Pra variar. Só  que agora, Ana Clara não  vai pedir desculpas pela terceira vez. Caruso anjo. Diego recusa proposta de receber anjo porque senão  Caruso  vai pro paredão. Atende o Big fone e põe  a Gleici no paredão . Não  foi covarde. Tem ética aí.

Se você  faz uma aliança de  proteção, você escolhe  entre adiar a ratoeira e mudar de direção,  ouvindo o gato gritar Gleici no paredão  anterior. Chamou de soberba e hipócrita, demonstrou,  quando a humilde Ana Clara, que indica pro paredão  e pede desculpas à  Jessica, colhe o obrigado constrangido  e sem sentido do cara que chamou  o próprio  pai  dela de cuzão. Não  vota na Gleici  escapa, vota na Gleici, pede -se desculpas, mas toma uma senhora lição  de moral ao vivo da Jéssica. As duas.

As pessoas são  um livro aberto. Só  saber ler. Diego foi tão  subestimado e tão  original que fez o que se propôs  a fazer: protegeu, não  foi covarde, escancarou a hipocrisia e a soberba das rainhas Gleici e Ana Clara, como deixou pra  Jéssica  fazer isso.

Diego nos deixou com 81%. Me fez trazer de volta  a parábola  do Kafka ironicamente chamada de fábula, por não ter  moral. Com o mesmo humor  negro não  entendido por uma população, onde,  segundo o JN, 23% sabe ler bula de remédio, se você  considerar texto  científico, e  8% sabe diferenciar ironia de opinião.

Estamos melhorando. 81% é  melhor que 92%.

Diego saiu digno, limpo, não  foi bem interpretado, mas preferiu a ratoeira. Fez história  por isso.

PARABÉNS, Diego! Não  seguir a manada  é  um dom. Deixem os recalcados Mahmoud e Mara falarem de representavidade da liberdade objetiva  e siga a individualidade de quem preferiu a ratoeira sozinho e não  ouviu o gato, como eles fizeram ao sair. Saiu gigante.

 

 

 

 

Macunaíma

unnamed (1)

 

Eu já havia tratado aqui, nos posts sobre a Selva no BBB 12, a respeito da moral retratada em contos literários. Tratei do “João e o Pé de Feijão”, o Tabart,  e tratei do “Macunaíma:o herói sem caráter” , do Mário de Andrade.

Quando você trata de heróis literários, o que se vê são personagens sobre as quais se centraliza uma narrativa. Não se trata de quem salva vidas, luta por justiça, por valores que a sociedade apregoa. Até porque se pegarmos literalmente os exemplos dos heróis infantis, veríamos que muitas fábulas infantis são verdadeiras obras de terror. De moral repudiável, e jamais deixaríamos que nossas crianças a tomassem como exemplos positivos.

Vamos às duas obras:

“João e o pé de Feijão,” na versão original, de Tabart,retrata um héroi que, após ser enganado por alguém sórdido, sem poder defender-se, entra escondido na casa de outro homem, ganha a simpatia de sua esposa para assim conseguir roubar-lhes e por fim o mata. Ele não encontra nenhum conflito moral ou punição por seus atos, igualmente a seu algoz. ” *

Ao tratar de sua obra, Mário de Andrade disse o seguinte: ““O que me  interessou por Macunaíma foi incontestavelmente a preocupação em que vivo de trabalhar e descobrir o mais que possa a entidade nacional dos brasileiros. Ora, depois de pelejar muito verifiquei uma coisa que me parece certa: o brasileiro não tem caráter. Pode ser que alguém já tenha falado isso antes de mim, porém, a minha conclusão é uma novidade para mim porque tirada da minha experiência pessoal. E, com a palavra caráter, não determino apenas uma realidade moral, não, em vez, entendo a entidade psíquica permanente se manifestando por tudo, nos costumes, na ação exterior, no sentimento, na língua, na História, na andadura, tanto no bem como no mal. O brasileiro não tem caráter porque não possui nem civilização própria nem consciência tradicional.

Isto posto, é importante para as pessoas sempre reverem histórias repetidas porque existe a segurança de já se saber o final. Daí, entende-se claramente o fato de o Bial falar que o BBB é um programa que revela muito mais de quem assiste do que de quem é assistido. O telespectador do programa tende sempre a fazer uma identificação de valores  com aqueles que aparentemente se demonstram injustiçados e, não por acaso, as histórias infantis se colocam basicamente sob o ponto de vista meramente estético.  Você precisa de um contexto que  apresente o (anti)herói em desvantagem com o seu antagonista. Assim, sob o olhar acusador, você sempre condenará este último pra justificar as más ações do primeiro.

É mais fácil ao cidadão médio entender que um grupo de 4 pessoas está em desvantagem em relação ao grupo maior da casa. Ou entender que a Gleici, nossa Macunaíma, movida a questões individualistas, se desenha como vítima de uma situação e mente descaradamente como tem feito, e fez ontem, ao optar no desempate pela Jéssica, uma pessoa tão subestimada pelo público, mas que fez uma das observações mais geniais e numa capacidade argumentativa tão superior à Gleici e à Ana Clara. 1: 32m. Teria sido 1 min se não fosse a interrupção do Ayrton.

Eu venho apontando há muito tempo a forma de jogar da Gleici. Até “guerrilhas virtuais” ela espera de sua torcida. Venho dizendo sobre o voto diferente que empareda, como Paula, Ana e ela mesma deram no Diego e emparedaram e eliminaram o Mahmoud. Ana Clara verbalizou torcida pela Paula e a Gleici viu isso. Neste dia, o trio da Gleici emparedou o Mahmoud pra salvar o Wagner. E o público fez o jogo do trio do Caruso e eliminou quem de fato era perseguido. O público demonstrou seu caráter.

O Diego é inteligente e desenhou o que eles deveriam ter feito há duas semanas atrás. Ele precisava indicar a Gleici. Ela e a Ana caíram em contradição. Ele protegeu Caruso e Jéssica. E ele deixou a Jéssica brilhar contra as lideres.

Gleici é uma heroína sem caráter, sem fair play, sem respeito. O contraponto foi firmado ontem. E, se sair, o Diego apenas atesta  que sua dignidade permaneceu intacta sem apelar pro vitismo e pra distorção dos fatos.