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Sobre os 10%

“Viver é muito perigoso… Porque aprender a viver é que é o viver mesmo… Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa… O mais difí­cil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra.”

                                                                                   João Guimarães Rosa
A eliminação do Diego, que contraria os discursos pré-eliminação do Leifert, demonstra claramente o quanto que o BBB 19 está no caminho errado e do quanto candidatos pré-fabricados acabam se tornando favoritos exatamente porque outros se expõem mais aos julgamentos do público, moralista e acusador, que mais romantiza a não exposição de seus favoritos em detrimento do princípio do programa, que é de exposição e de jogo, especialmente porque se trata de botar pra fora.

Leifert  expôs no paredão da Hana e, agora, no do Diego, os riscos de não se fazer nada. Não se trata de uma referência a escapar do paredão, mas de exposição mesmo de argumentos e de comportamento. Só atrai torcida quem se expõe e gera comoção. Não fazer nada não gera comoção de torcida. Não existe torcida do Alan. Existia rejeição ao Diego, inclusive entre a torcida Pauriany. Daí,  os 10% de diferença o eliminou do programa. 52% foi o que conseguiram as torcidas em parte ou no todo de praticamente TODOS os participantes do reality. É óbvio que se verifica uma rejeição ao grupo dos gaiolas. E claro que se trata de uma verdade aparente porque quem vota e decide um paredão de 52 x 42 é justamente poucos que votam muitas vezes. A Ana Maria Braga informou que o paredão estava disputado o tempo todo, como se verificava nas enquetes, mas, nas últimas horas, a diferença foi crescendo.

60 mil votos equivalem a mais ou menos 1 hora de mutirão no twitter. Essa turma votou pro Diego sair e pro Alan ficar. Honestamente, numa edição que demonstrou o Alan como ET, uma das coisas mais constrangedoras do programa. E a turma comemorando a saída dele, como uma espécie de vingança pela saída da Hana, como retaliação condizente com o precoce favoritismo dos gaiolas. Existe esse ressentimento mesquinho de ir contra as preferências da maioria no twitter. É patético, verdade, mas é legítimo. O que não condiz de forma coerente com a reclamação de só plantas ficando. Podiam tirar uma planta, que não acrescenta nada pro programa, mas preferiram tirar quem provoca movimento. Dar a vitória por WO.  Sabotando o que preceitua o programa.

Ontem, o Rodrigo, como vários que não se posicionaram, disse :”prefiro ser covarde a ser desumano”. Ser desumano, pra ele, é dizer qual preferência dele no paredão. Paredão que estava o Alan, que é do “grupo” dele e que ninguém escolheu pra uma final ideal. O Tiago disse que cada um joga contra seus próprios aliados.  Pelo menos, foi sincero, porque o Rodrigo é, sim, covarde. E também é o twitter. É bem confortável, julgar participante por ser sempre uma coisa só. Ninguém é, mas é muito confortável expor os defeitos do outro como algo inaceitável, sem reconhecer qualquer mérito, e apenas dar méritos a quem se romantiza pela aparência, ou história de vida.

A Paula segue como favorita pra vencer e, a cada semana, vemos os gaiolas caírem no gosto popular. Mesmo com suas falas preconceituosas, a ignorância evidenciada no seu modo de agir, muitas vezes, intolerada pelo twitter e pela crítica do programa, ela tem diversas qualidades relevantes pra sua torcida. Comove e só se fala dela no programa. E tudo ali gira em torno dela. A Hariany eliminou a Hana, que também acrescentava ao programa, escapando porque existe uma torcida muito forte da Paula. Maior que todas as outras juntas. E a argumentação sempre se dá contra ela, não a favor de ninguém.  O Max venceu o BBB 9 com 34,85%. A Ana Carolina empatou um jogo contra o lado B e saiu com 58% dos votos e é recordista de paredões até hoje. Ela tinha um protagonismo solo. Pra mim, o BBB mais disputado até hoje. E rolou de tudo naquele BBB.

Enfim, é sobre isso que se trata o BBB atual, sobre exposição x romantização de participantes. Da autossabotagem que as torcidas fazem em torno de um jogo de narrativa, que o vencedor escreve uma historia e conduz o programa. Você não deveria julgar com base no que você acha que o participante pensa, mas no que ele verbaliza e atua de forma natural, não no que se faz pra agradar o público.

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Favoritismo

Quando se trata de BBB como um jogo de narrativa, vemos que o favoritismo se forma a partir da primeira semana, quando surgem os primeiros antagonismos do jogo. O BBB 19, não poderia ter sido mais óbvio. Vila Mix( ou camarote) se formaram no primeiro dia. Temos aí: Gustavo, Isabela, Carol, Tereza,  Maycon, Vinícius e Diego. O Baile da Gaiola: Rodrigo, Gabriela, Rízia, Hana, Vanderson e, posteriormente, Alan. Entre os grupos tínhamos: Elana e Danrley e Paula e Hariany.
Após a primeira votação, que levou ao Quarto dos Sete Desafios, temos a seguinte configuração de votos:

Hana – Gustavo, Diego, Carol, Vinícius
Paula – Gabriela, Maycon e Vanderson
Hariany – Alan, Rízia, Rodrigo e Tereza

Elana votou em Isabela. Danrley em Diego.

Primeiro paredão:  Paula, pela casa ( Rodrigo, Gabriela, Alan, Rízia e Carol). Hariany (Maycon  e Tereza),  foi pelo BF do Maycon. Hana indicou Gustavo, sabendo que a indicação nele, implicaria na ida da Paula pro paredão. Foi consciente e o primeiro antagonismo do jogo. A partir do líder, e do veto, Hana trabalhou bastante pra culpar a Pauriany pelo veto do Rodrigo, além de ignorá-las após  a liderança. Jogo este muito semelhante ao da Tereza, de não assumir as consequências de suas escolhas, empurrando a culpa nos outros.

Segundo paredão triplo: Hariany indicada diretamente por Alan. Carol indica Hana.  Rizia compõe o paredão por votos de Diego, Tereza, Isabela e Maycon, pra salvar Tereza. Veja, que os Gaiolas se dispersaram. Hana e Alan foram em Tereza. Rízia, Rodrigo e Gabriela votaram em Maycon. Elana manteve Isabela voto do Danrley.

Hariany e Paula recebem votos de ambos os grupos. A narrativa delas é definida justamente por conta disso, seguem isoladas e construindo, a partir dos outros, seu protagonismo.  Além disso, as pessoas que votaram nela continuam na casa. Hana foi eliminada, porque foi a primeira antagonista dupla, pela própria dinâmica. A dupla é perseguida aos olhos do público. E conta muito a favor delas o fato de não aderirem a nenhum dos dois. São o que se chama de voto fácil. Não, voto certo, porque os próprios gaiolas enxergam a divisão, mas só os Vila Mix que tocam a rivalidade. É tão perigoso o antijogo, que o Alan praticamente eliminou a Hana, até no seu próprio discurso antes da eliminação dela. Por mais que fosse de surpresa, a sua indicação teria grandes chances de retorno. Não se tem como não ver a dupla forte dentro da casa.

A saída da Hana foi ruim pro jogo. Como foi prematura a visão do favoritismo de Pauriany, mas os gaiolas, simplesmente, não jogam. Não vêem que bastava acompanhar votos, como fizeram no primeiro paredão. Tinha 2 votos certos na Tereza, podiam salvar a Rízia, mas, não, prefeririam dissimular um jogo batido de perseguição, de não combinação de votos, o parecer justo e honesto pro público, VERBALIZANDO essa estratégia. Não existe o senso de proteção. É autofagia.

Daí, a torcida dos gaiolas reclamam que a edição não queima a Paula. Esconde que ela é “racista”, e o povo do sofá define paredão. Francamente, né?, como se pode dizer isso, se a votação se dá EXCLUSIVAMENTE pela internet? Ninguém vê sites, nem redes sociais, nem tem a menor ideia do que passa lá, eles só vêem BBB pela TV, e só ligam a internet pra votar no site da globo. Como a edição também, exporia algo de um participante que não tem nada a ver com o jogo e que não repercute dentro da casa.

Só tem torcida quem polariza. Só movimenta, quem tem rivalidade, quem se destaca no contraponto. Hana, por exemplo, tinha torcida, ela movimentava o jogo. Paula e Hariany movimentam, assim como Diego e Isabela, que tem um jogo interno muito bom, muito embora, tenham bastante rejeição. O Diego trabalhou muito bem a relação com a Pauriany, e aumentou muito suas chances de retorno do paredão, com outro de seu grupo. Talvez, seja tarde pra ele, porque Gustavo e Hana sairam. Só que nem ele, nem nehum dos gaiolas estão no páreo pra vencer. Correm por fora, apenas Elana e Danrley. Ou seja: diante da dicotomia de grupos, são favoritos aqueles que estão orbitando entre os dois.

Fica, Hariany!

Existe um ruído bem grande a respeito do grupo dos Gaiolas e isso tem me incomodado bastante. É a apelação pro racismo, com uma discussão que extrapola e vai muito além do que realmente é. As pessoas descontextualizam o assunto num grau, que se tornou já uma paranóia. A aberração do “humor negro”, que as pessoas tomaram como “humor contra negros”, é o exemplo mais forte disso.  Querem falar que a Paula é racista, vão replicando a reportagem da Capricho e discutem o conteúdo dela, que reforça isso, e dão uma show de asneiras.

O mais complicado é exatamente a falta de empatia visível no escrever “para os outros”. Quando você trata de um assunto assim, demonstra que o problema que sempre vemos em participantes negros do BBB, foi dito pelo Ayrton do BBB7: “não é que as pessoas não gostam de negros no BBB, só não se identificam com eles”. A maioria dos negros do BBB sairam com rejeição altíssima. E sempre ficam abaixo nas estatísticas de preferência pra ganhar.

Rodrigo, Gabriela e Rizia são ativistas aqui fora, estão lá como representantes, como eles mesmos se vêem. No ano passado, também se viam assim a Nayara, Viegas e Gleici. A diferença é que este grupo, nas chamadas, se mostrou bem mais lacradores que os outros. Colocaram quatro loiros, sendo que as loiras foram as primeiras a sofrerem a chacota do twitter. E são elas que movimentam a edição.

Este ano, os gaiolas viraram os queridinhos, muito disso, se deve à Hana, que é branca, que eu não gostaria que saísse, mas ela está ali contra a Hariany e o público polarizou. A Hari é mais relevante, porque segue um diferencial no jogo, é uma dupla com a Paula, e estão formando um novo grupo com Elana, Danrley e Tereza. Esse jogo pra mim é mais interessante. Não é o da Rízia , Rodrigo e Gabi que não jogam, não combinam e querem demonstrar para o público que são perseguidos e veja que o Rodrigo está esperando ir para os dois paredões. Não fosse o voto da Carol na Paula, saberia que estava no paredão, empatado com a Paula. Nessa liderança da Hana, seria excelente o posicionamento dela, mas , sorte dela, que nem houve.

O Leifert, no paredão passado, deu essa chamada nos gaiolas. Falou indiretamente da Hana, que ela quer fazer meme, jogar pro twitter, o que funcionou, mas esquece que quem decide está no sofá, no face, no instagram, onde ela tem alta rejeição. Uma pena, pra mim, porque ela estava numa guerra fria com a Paula, e os gaiolas não acordam pro jogo, e, ao que parece, tendem mesmo a continuarem assim. “Ingênuos”, como o Rodrigo disse ontem. São o antijogo. INERTES.

Então, é aquilo: polemizar um assunto, sem ao menos saber do que está falando, pra difamar ou demonstrar a intolerância a uma participante, coloca o racismo, em si, em segundo plano. E gera uma defesa ainda maior dela, porque o olhar acusador é primário e mesquinho. A falta de conhecimento do que se escreve invalida o conteúdo. Faz valer o ditado:“Mais sábio um ignorante em sua própria casa que um sábio em casa alheia”.

 

 

 

 

 

Fica Paula!

 

Ser protagonista de BBB é algo bem difícil quando se é loira e caipira. “Porca Racista” pra baixo, por causa de palavras pejorativas que os julgadores, de reputação ilibada, modelos de comportamento, copiadores, replicantes de twitter criticam, porque, né?,o Fabulous 4 ( Rodrigo, Rízia, Hana e Gabriela) está perdendo terreno.

Todas as palestradas dadas a respeito de ética e bom comportamento do sonolento professor Rodrigo ameaçados por essa caipira que usou a expressão “faveladão”, a que todos automaticamente associam a negros, como chamou o fabulous 4 de gangue, que disse que seu próprio cabelo é ruim, e a galera toda chama de preconceituosa. Galera, que insulta mesmo, pede desculpa pelo excesso, porque não aguenta o insulto de volta, já pré justificado, pela própria intolerância. Que não tem capacidade de autorreflexão em saber que a intolerância totalmente desmascara falsos moralistas.

Protagonistas do BBB se formam em relevância no jogo. Não é fácil, desde a primeira semana, ganhar imunidade em prova de resistência, ser a mais votada pra sair da casa, ir pro Quarto dos 7 Desafios, direto pro paredão mais óbvio, que todos sabem de que vai voltar. Até o Fabulous 4 torce pela volta dela.

Pois, então, a mesquinhez de todos, manifestada nos olhares acusadores e no argumento ad hominem, retrata muito bem o quanto nos incomoda mais o que não satisfaz nosso próprio ego. Mais do que isso: o que não nos é aprazível.

O que me encanta na Paula é exatamente o fato de ela ser destemida. Talvez, passar finais de semana no mato com a porca, tenha lhe dado muito mais percepção de vida do que o convívio com gente hipócrita. De fato, vejo que isso não lhe é familiar. Aprender funk no youtube por celular, sair pra pegar os boys na balada, e tomar bala, porque não é porque é caipira que significa que é santa. Não é. Erra como todo mundo, mas incomoda porque tem uma relevância e tem torcida. Não veio com discurso pronto. Nem com falas pra serem usadas entre aspas, e torna todas as adversidades em entretenimento. É essa a finalidade do programa, não?

Então, só por isso, o post. Não sei o que é passar pano, só sei o que me incomoda na forma de escritos acusadores, porque meus olhos são sensíveis, e no discurso repetido, porque sei pensar por mim, pelo que vejo. Não estou aqui sofismando e repetindo discurso de ninguém.

Bem vinda, dona Paula, pega o lugar que é teu.!

 

Se não gostou do que leu, escuta a música. Nem vou explicar a letra, porque não precisa. Nem quero também.

Paula x Hana

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DEZENOVE edições, e, parece que não fica muito bem claro como se inicia uma construção de narrativa. O Twitter é a rede social mais moralizadora que existe. Denunciando a todo momento os fatos que comprovam caráter de participante. Apoiadores de militância e de palestras, caem nesse joguete de discurso, e esquecem que o programa é mero entretenimento e da forma mais superficial possível.

A narrativa da edição está sendo contada por essas três. Hari é uma coadjuvante de luxo. Hana e Paula que estão movimentando o jogo.

A Paula ganhou uma prova de resistência, subestimada por todos na casa, pegou uma imunidade de cara e um carro numa prova que foi bem legal de assistir. Provas de resistência costumam ser monótonas, mas dão muita popularidade aos vencedores. E nessa não foi diferente. Até porque a Paula estava competindo e incentivando a Carol – que, sem nem entrar, já era popular-. Tem carisma, é engraçada, parece fiel, e tem uma série de atitudes positivas, além de ter o jeito caipira que o público costuma adorar.

Temos ai, o grupo da Hana, com a parte mais intelectualizada da casa, palestrantes, pessoas que formam o tal grupo do Baile da Gaiola, contra os Vila Mix, que tiveram o incidente com o Rodrigo no segundo dia. O problema é que o Rodrigo tem delay. Não soube capitalizar uma situação adversa, e foi ladeira abaixo, inclusive ao ponto de dormir a maior parte do tempo na casa. Até pra discutir, ele tem preguiça. E olha que a edição ajuda muito, dando uma levantada no lado educado, bonachão, e na história de vida, etc. Ele é legal, mas bem chato pro jogo.

Mas teve apenas uma função, a participação do Rodrigo: criar uma rejeição ao grupo do quarto azul, os Vila Mix. Rejeição essa plenamente recuperável, uma vez que ele próprio descontextualizou o conflito. Neste aspecto, sim, está bem óbvio até pro Twitter que defende muito não só ele, como a Gabriela e a Rizia. Pelo próprio contexto, a edição induz o clássico playboys x desprivilegiados. Bem que muita gente queria isso, mas é da cabeça dessa galera, porque os relacionamentos ali, tirando o Rodrigo, que sonha com o BBB, são o contrário. Maycon e Isabela são queridos na casa. Diego, idem, e o Gustavo parece estar escapando do paredão.

A Hana teve uma chance de ouro após a primeira votação e se perdeu. As 3 indicadas tiveram,  porque transformaram o quarto dos 7 desafios numa coisa legal de assistir. Levaram com humor. Fizeram parecer injusto estarem ali. Daí, a Hana entregou os votos nelas. Já sabem que tomaram voto do Rodrigo, Gabriela, Rizia e Alan, de cara, pela própria Hana. Fizeram esquema do veto, em  que a Hana queria vetar a Rizia -que o twitter colocou no mesmo grupo dela-, e tiveram o atrito em relação ao Rodrigo. Veja bem: a Gabriela joga legal, mas existe uma dúvida da Paula.Pra ela, Rodrigo votou nela. Os dois foram na Hari, por afinidade ( mentira). As três fizeram um fechamento e foram pra prova do líder, vetando Rodrigo, Carol e Tereza ( que tomou a garrafa de champanhe da Hana).

Daí, qual foi a atitude da Hana? Virou as costas pras três, no quarto do líder, entregou tudo que foi combinado, criticou as ex parceiras, pra quem ela sabia que votaram nelas, censurou o fato de elas ficarem chateadas por terem sido as ultimas a irem pro quarto. Demonstrou toda falastrice, deslealdade, ingratidão e egoísmo típico de vilões. Hana é grosseira. A Elana, inclusive, ganhou o paredão por conta disso. A Paula foi lá e tacou as patadas que ela dá nas pessoas, e se opôs lindamente sem alterar a voz. A Hana ficou descontrolada, e entregou toda a conversa, de forma distorcida, pro seu grupinho, aumentando ainda mais a rejeição às duas, colocando-se como vítima manipulada pelas caipiras.

Assim, se constrói vilões. O vilão descontextualiza os conflitos e manipula os fatos pra criar as rivalidades. Queima dos dois lados pra se sobressair. É o mal da primeira liderança. Revela todo potencial do participante e põe em voga suas atitudes pra julgamentos.

 

A Cara e o Cara do BBB 18

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A final deste BBB era previsível. Ana Clara e Kaysar foram dois protagonistas da edição que deram uma aula do que é  o jogo interno e externo  do BBB.

O Kaysar entrou  favorito. Participante mais carismático  do programa, com um apelo  diferente do que normalmente se vê, foi logo reconhecido entre os demais participantes no primeiro dia. Ana Clara era rejeitada. O público  odiou a família. Não  fosse a sua habilidade argumentativa e a sua simpatia com os outros ali dentro, teria a grande novidade da edição eliminada na segunda semana. Havia uma rejeição ao Ayrton na casa, mas a Ana Clara conseguiu reverter isso até  o 3° paredão que, por muita sorte, junto com a Paula enfrentou a Ana Paula, integrante do Trio Mandinga. Se não  fosse o voto do Breno, Mahmoud teria ido. Diego era o líder.

Neste tempo, Kaysar ainda era próximo desse trio de vilões. Nem mesmo isso, tirou seu favoritismo com o público. O público via uma certa ingenuidade da parte dele.

A partir daí, a familia acumulou duas lideranças. Na primeira, eliminaram a Nayara. Na segunda, indicaram o Diego, mas quem saiu foi o Lucas que o Kaysar indicou por sorteio. Ana Clara responsabilizou o Ayrton pela indicação  e se desculpou com o Diego. O Diego vinha passando até,  então, por uma mesma situação que ela no início, pra ter uma sobrevida no jogo, articulava uma combinação  de votos, exatamente  por não  se ver como um favorito ou um tipo que cative o público  de imediato. Só  que não  era uma planta como a Gleici.

Havia uma situação: Mahmoud, amigo da Ana, era perseguido pelo trio Caruso-Wagner- Viegas. Só  que a Ana, mesmo sabendo  disso e vendo o Wagner com jogo duplo, optou por não  tomar partido. Não  era alvo nem deste trio e nem do trio Mandinga.

O MOMENTO do jogo foi justamente o SEXTO paredão. A Patrícia  era líder. O Diego era voto  conhecido da Gleici. O Mahmoud era perseguido pelo trio  do Wagner que havia dito que não  votariam nele.  Daí, a produção fez uma mudança  de regra. Fez a votação ABERTA pra sabotar a combinação do Diego. Só  que todo mundo manteve o voto. Inclusive a Ana Clara que tomou partido da Gleici votando novamente com a Paula e Gleici no Diego. Pedindo desculpas DE NOVO. Este paredão  foi decisivo pro jogo. Kaysar caiu um pouco em popularidade. Gleici subiu pro quarto  porque era um paredão  de eliminar. E, obviamente, quem movimenta disputa, quem flana sobra. Fizeram crossover com a novela e aquela  que, até, então, nem existia, por sorte subiu pro quarto e pescou uma informação : Paula dizendo que indicaria a Patrícia  porque ninguem a indicaria e votaria nela. E Diego outro voto seu.

Com a Patrícia indicada e eliminada por ela, Diego saiu, na sequência, numa indicação da liderança compartilhada entre Gleici e Ana Clara emparedando dois desafetos da Gleici: Diego, por emparedar a líder, e Jéssica  no desempate, preservando  o Caruso desafeto direto do seu pai.

Ou seja: Ana Clara, tão  inteligente, resolveu fazer o jogo da Gleici  no eterno looping do ” fulano  que vota EM mim”.  E passou a fazer a mesma coisa  quando ela passou a ser alvo, quando os que votavam na Gleici sairam. Era previsível isso.

Assim, o melhor elenco  que o BBB já  formou, que jogava  de forma inteligente, passou a seguir a cartilha de BBBs iniciantes. Como não  combinar votos pra serem alvos. A produção subestimou demais os escolhidos e acabou com a emoção  da supresa doa paredões.

Ana Clara conseguiu reverter tudo que teve contra si. Salvar-se de paredões até  que teve que superar o Kaysar. A prova de resistência que ela conseguiu vencer, quando iria perder. A forma que ela propiciou a renúncia  do Kaysar à imunidade, fez com que ele crescesse e recuperasse o pouco que perdeu no twist do quarto, e só  sobrou forças  pra ganhar da Paula no último.

A Gleici  apenas seguiu no oportunismo e num jogo por WO. Com seus aliados massacrados por suas lamúrias  votando em quem votava nela até  que seus aliados fossem votodados e ela escapasse do paredão na reta final. Desde o 6° paredão. Só  foi contra o Diego por causa do Big Fone no 8°. Esta há  7 paredões  fora da berlinda. Bem confortável! Apagou total. Kaysar foi a 3. Breno foi a 2 e a familia foi a 2.

Por isso o Kaysar  merece a vitória. Por não  ter cedido, por ter se mantido no seu jogo e no seu apelo. Por ter sido ético, mesmo enquanto esteve do “lado errado” e por nunca ter tido favorecimento da edição.

A Ana Clara, mesmo sendo espetacular e ter perdido o jogo pro Kaysar nanultima prova da resistência  mereceu a final pelo seu jogo altamente adverso a si, sabendo reverter e vencer paredões.  O cara e a cara do BBB.

 

 

 

 

 

 

Ao Vencedor as Batatas 2

 

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Para Greny:

 

“Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.”

(ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997. p. 648-649.)

A citação  da filosofia HUMANITISTA do Quincas Borba é  uma ironia do mundo real. Uma oposição  ao HUMANISMO. A forma como ele justifica  a guerra não  se daria no mundo real como uma ciência, mas retrata exatamente como as pessoas se comportam em relação  à atitudes. O BBB seria um retrato desta ironia aparente, porém  literal, do telespectador. As torcidas se portam como as tribos, enaltecendo a trajetoria dos  seus favoritos, desprezando completamente os seus adversários. Romantiza qualidades inexistentes e suprimem seus defeitos e a coerência  da participação  do favorito em si.

Quando eu usei Macunaíma como referência  à Gleici, usei exatamente porque, como no livro, ela vem do norte, tem um biotipo que representa a brasilidade, mas se apresenta como uma mocinha abaixo de qualquer crítica. Movida a um individualismo e uma hostilidade  com o próximo tamanhos em termos de convivência, que mais justificam os votos nela do que tornam coerentes as suas argumentações  na vitimização.

A sonsice ali grita. Seu jogo foi de queimar seus aliados nas votações, preservando o trio do namorado que perseguia o Mahmoud. Apenas votava em quem votava nela.  E mesmo sem uma capacidade de diálogo  e de percepção, afundou o jogo da Ana Clara, que se ligou a ela por mera compaixão  ou intenção  de não deixar existir uma rejeitada, dificultando tudo que construiu e sem que, com isso, demonstrasse uma afetuosidade da Gleici. Ela não  cativa. Ela não  desperta nem demonstra afeto. Por diversas vezes, ela entra no looping do ” fulano vota em mim”, quando a amiga queria falar de si e do seu jogo. Ela não  devolve a bola. Não  interage. Diferente da Jessica e do Kaysar, por exemplo. A torcida dela não  entende isso. Joga com  o pretenso preconceito de quem critica. Não  com a verdade que ela apresenta. A Gleici  não  tem  genuidade.

O Kaysar, chamado de fake, tem uma personalidade coerente. Efusivo, hiperativo, sim, mas tem carisma. Tem o que falta a Gleici : civilidade, respeito, humildade, a honestidade e a boa fé. As pessoas falaram que ele quis enfrentar a Jéssica. Ele não  quis. Ele não  quis votar na família  por motivos óbvios  e extra-casa. E não  quis enfrentar a Gleici e votar nela. O voto nela pra salvar o Diego pesou. E não  precisa ser um idiota de Dostoiévski pra isso. Até porque esse “idiota” não  é  burro, é  louco. Na literatura, louco é  quem se autoafirma como ser humano. Opõe-se à  sociedade. Exatamente isso que ele é  hoje na casa: um contraponto. Aquele que destoa dos demais. Aquele  que desperta a necessidade dos outros de argumentarem o seu desmerecimento como vencedor.

Então, parafraseando Clarice Lispector, em  A Hora da Estrela, o Kaysar ė o diferente. Um corpo estranho, muitas vezes menor do que uma célula, mas que movimenta um organisno inteiro para combatê-lo e impedir que se fortaleça.